Calma camarada, eu também tô sentindo isso. Você não está só nesse sentimento que é uma mistura de angústia, impotência, desesperança e frustração. Eles estão roubando o nosso último suspiro de paz de espírito. Quando tudo está desmoronando ao redor, nossa tendência é pensar que "poderia ser pior". Agora a gente está chegando no "vai ser pior". Porém, a gente precisa alentar uns aos outros. Não é a primeira vez que a gente passa por isso e, com a inclinação do pensamento (ou emburrecimento, como eu prefiro chamar), tudo tende a orbitar essa realidade.
Nos próximos anos, tudo vai caminhar nessa linha e vai se estreitar cada vez mais, até termos uma nova ruptura. Pode ser uma nova ditadura, pode ser uma revolução armada da esquerda, pode ser qualquer coisa. A história nos ensina que todo autoritarismo caminha, inevitavelmente, para uma pressão insustentável que culmina em um beco sem saída. Muito vai se perder no caminho, mas muitos vão despertar também.
Lembre-se que ainda temos chance, mas mesmo transpondo essa barreira, teremos quatro anos duríssimos pela frente que desembocam em não se sabe onde. E a culpa também é nossa, talvez em menor proporção, mas também precisamos exercitar nossa flexibilidade e enxergar o outro e o que motiva o outro. Perceber quando pode ser trazido para o nosso lado e não optar pelo caminho fácil e conveniente de ignorar totalmente sua existência. Também é preciso parar de perder tempo pregando para convertidos. Pessoas que desceram até o fundo do poço e teimam em não segurar a corda que jogamos para tirá-las de lá.
Eu espero estar errado e tudo que eu estou imaginando terminar em apenas mais um dos muitos devaneios que eu tenho. Mas caso se concretize, tenham força e vamos nos apoiar uns nos outros. Cuidem da cabeça, vamos precisar dela nos próximos (muitos) anos.