A história da megalomania do Guns N’ Roses em “Use Your Illusion”
- continuação Parte 2 -
A maratona da mixagem caiu nas mãos de Bill Price — veterano que já tinha dado liga no primeiro disco do Pretenders (1980) e em “Never Mind the Bollocks” (1977), dos Sex Pistols. Mas em maio de 1991 a bagunça parecia não ter fim. O resultado foi kafkiano: o Guns N’ Roses teve que cair na estrada. Era uma inversão total de lógica — rodar o mundo divulgando dois álbuns fantasmas, que nem data de nascimento oficial tinham.
Como se a corda já não estivesse esticada o suficiente, Axl Rose aproveitou o caos daquele mês para passar o cerol no empresário Alan Niven, colocando o então segurança Doug Goldstein para segurar o rojão.
Paralelo a tudo isso, a cabeça de Axl voava quilômetros à frente, obcecada pela identidade visual do monstro. Ele cismou com uma releitura cartunesca de “A Escola de Atenas”, do renascentista Rafael Sanzio, encomendada ao artista Mark Kostabi. Na imagem escolhida para estampar a capa, um garoto rabisca um caderno sob o olhar severo de um filósofo da Antiguidade.
Axl também tinha planos faraônicos para uma série de videoclipes. Três deles, em particular, teriam produção com qualidade cinematográfica e conectariam as músicas em uma trilogia de baladas sobre as circunstâncias dolorosas da vida do cantor: “Don’t Cry”, “November Rain” e “Estranged”.
Só que, antes de a ópera estrear de fato, o tanque de guerra do cinema comercial atropelou tudo com “You Could Be Mine”.
Lançado como single em julho de 1991, o som virou o cartão de visitas de “O Exterminador do Futuro 2 — O Julgamento Final”, colando a imagem da maior banda de rock do planeta direto no blockbuster estrelado por Arnold Schwarzenegger. E o próprio Ciborgue T-800 ainda deu as caras no videoclipe.
Continua na Parte 3 - em breve -
Fonte: Igor Miranda ( jornalista musical )
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